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Dr. Ricardo Gurgel Rebouças

Lombalgia e atividade física

Durante muito tempo, a orientação para quem tinha dor nas costas era ficar de repouso. Os estudos mais recentes apontam outro caminho: movimento ajuda a sair da crise e a adiar a próxima.

A dor lombar costuma voltar

Um estudo publicado no The Lancet acompanhou cerca de 700 pessoas que tinham acabado de se recuperar de uma crise de dor lombar. Entre as que não receberam nenhum programa, metade teve uma nova crise em menos de quatro meses.

Caminhar quase dobrou o tempo sem dor

No mesmo estudo, parte dos participantes fez um programa de caminhada progressiva, com orientação, cuja meta era chegar a 30 minutos, cinco vezes por semana. Nesse grupo, metade das pessoas passou pelo menos 208 dias sem nova crise. Sem o programa, 112 dias.

Caminhar e correr

Na Noruega, 11 mil pessoas usaram sensores de movimento durante uma semana. Quem caminhava mais de 100 minutos por dia (somando casa, trabalho e rua, e não só "a caminhada") teve cerca de 23% menos risco de a dor lombar se tornar crônica nos anos seguintes.

Correr faz ainda mais pela saúde como um todo. Fora da crise, correr, mesmo que uma vez por semana, esteve associado a 27% menos mortalidade por qualquer causa.

O melhor exercício é o que você consegue manter

Pilates, musculação, yoga, exercício na água, caminhada, dança de salão: todos ajudam, e a frequência importa mais do que a modalidade. A musculação também vale. Na dor lombar crônica, programas progressivos de pelo menos 12 semanas reduziram a dor.

Sinais que pedem avaliação

Na maioria das vezes, a dor lombar melhora com tempo e movimento. Alguns sinais, porém, pedem avaliação médica:

  • fraqueza em uma perna ou no pé;
  • dormência na região entre as pernas;
  • perda de controle da urina ou do intestino;
  • dor acompanhada de febre, perda de peso, ou que piora à noite;
  • dor depois de uma queda ou trauma;
  • dor que não melhora em algumas semanas.

Referências

Este texto também saiu como carrossel no Instagram, @rgreboucas.